Fui comer uma bifana à Praça da República. Abriu lá um café com esplanada a que eu posso ir sem que tenha medo dos frequentadores habituais.
Fui a pé. Pelo caminho não encontrei ninguém, excepto dois velhos sentados num banco de jardim (que não está no jardim, senão não podiam estar lá sentados) que viam o jogo do Benfica numa coisa que me pareceu um DVD portátil. Modernices.
Pelo vazio, pelo silêncio da cidade pensei que ia em vão e que estaria fechado.
Quando cheguei à praça, surpresa das surpresas: estava aberto. A esplanada, ainda que não estivesse cheia, estava composta e havia cerca de uma dúzia de crianças a brincar pela praça.
Nada de extraordinário, cerca de 20 adultos, 12 crianças e 6 miúdos com a mania que são crescidos a beber café e a fumar.
No caminho de casa resolvi passar pelas outras esplanadas: Santos: vinte pessoas, Bacalhau: 20/30 pessoas. Resto do caminho: um empregado do Luiz da Rocha a fazer limpezas, 3 adolescentes a ouvirem má música nos telemóveis e um porco de um bebedo a fazer comentários obscenos encostado a uma árvore.
Então onde há esplanadas e luz há alguma vida e pouco silêncio. Afinal existem pessoas em Beja à noite no verão. Eu pensei que havia um buraco negro para onde todas se eclipsavam. Elas existem e gostam de sair, mais que não seja para apanhar o fresco destas noites de dias tão quentes.
De que é que se está à espera para arranjar mais formas de as fazer deixar a novela a gravar?
Ah e não comi bifana porque já não faziam, só tostas mistas.
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