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2012/01/31

e assim vou-me queixando da falta de tempo...

A relação que tenho com a poesia não é fixa. É uma espécie de relação liberal, moderna, em que não estamos comprometidas uma com a outra, mas regressamos quando a isso nos sentimos falta. Eu digo: "a minha relação com a poesia", mas entenda-se que é uma relação unilateral: eu com ela. Que ela a mim, não me liga nenhuma. É aliás mais uma das minhas relações amorosas de sucesso.

Isto tudo para dizer que quando hoje descobri o texto aí em baixo me apercebi da falta que sinto. Sem que a tivesse sentido até ler o texto. Às vezes tenho saudades de coisas bonitas. Que me mexam por dentro.

Tenho de mudar de vida. Quando digo "mudar de vida" refiro-me mais à organização do meu tempo do que propriamente a sair pelo mundo com uma valise de cartón e tornar-me uma bailarina exótica de sucesso (ainda que tivesse todas as capacidades e qualidades para o fazer - se a valise não fosse muito pesada, ando mal das tendinites).

Preciso de tempo para essas coisas boas de que me vou esquecendo por tempos e tempos sem me aperceber que o equilibrio, a boa disposição,a  visão de um dia novo, as ideias, a criatividade, a esperança, a capacidade de resistir e a imaginação nascem desse tempo em que aparentemente não se faz nada a não ser apanhar sol numa esplanada com um livro na mão, um lápis  na outra e um caderno na mala, não vá a gente ter uma ideia boa.

É isto. preciso de poesia, de sol e de tempo para disfrutar disso tudo.

Ah! e definitivamente não aprecio o japonês que está na moda!

Agora que já fui ao google posso actualizar a informação: é o Hariki Murakami. Li o "Sputnik meu amor". ah... nem um arrepio, nem um sorriso, bah.... muito frio e arrumadinho. (é a melhor adjectivação que conseigo enquanto crítica literária!)

2011/08/31

li por aí...

HAL         Deus é um cavalheiro. Prefere as loiras.

in: O Saque de Joe Orton
a mim parece-me uma constatação do óbvio... mas isso sou eu...

2011/08/23

li por aí...

“Despida a situação do choro e ranger de dente que nunca faltam, literais ou figurados, temos:

1) Alguém se declara infeliz na relação e opta por lhe modificar as regras;
2) Põe as decisões tomadas no colo do outro;

3) Que as considera letais para a mesma relação;
4) E encara o dilema: “cedo e adio a ruptura ou saio já?”;

5) Opta por sair;
6) Ambos mantém as respectivos decisões, a alternativa seria não conseguirem olhar-se no espelho;
7) Saem de cena e cai o pano."

in: O Tempo dos Espelhos de Júlio Machado Vaz

2011/08/22

li por aí...

“FAY (…) Não fosse a eutanásia contrária à minha religião, tê-la-ia praticado. Em vez disso, decidi assassiná-la.”

in: O Saque de Joe Orton

2011/08/20

hoje...

Comecei a ler o Sputnik meu amor. A minha única experiência com este senhor japonês não foi muito boa, deixa lá ver como corre esta. É que gosto muito do título.

2011/08/19

li por aí...

TRUSCOTT        Alguém a acompanhou nos momentos derradeiros? (Para Hal) Acompanhou?

HAL                    Sim.

TRUSCOTT        Dir-se-ia que ela estava pouco à vontade? Não deixou uma mensagem derradeira?

HAL                    Não.

TRUSCOTT        Era habitual nela?

HAL                    Ela antes disso nunca morreu.

in: O Saque de Joe Orton

2011/08/17

e agora sim, parece-me que entrei de férias... (ideia a desenvolver)

Comecei um ritual ontem: chegar a casa e sentar-me (deitar-me) a ler no sofá.
Ontem li "Marina" do Carlos Ruiz Zafón e hoje "O Tempo dos Espelhos" do Júlio Machado Vaz.

Gostei de um e outro. Estou gulosa, agarrada aos livros que trouxe da estante dos pais.
Andei o ano todo a fugir dos livros ou eles de mim. Sem tempo, paciência, comecei quatro ou cinco e até há três semanas atrás tinha lido dois inteiros e um já vinha do ano passado.
Agora, que as coisas ainda estão a começar e vou conseguindo organizar tudo de maneira a ter tempo, devoro-os, sabendo que daqui por uma semana ou duas se tornará impossível deitar-me três horas com um livro na mão.

Se ontem terminei por volta das dez da noite, sem jantar, hoje, às nove, estava despachada, comecei mais cedo.
É certo que não são duas obras primas, mas são livros, com histórias bem contadas. E se há coisa de que não abdico é de histórias bem contadas. Alimentam-me de alguma maneira.

Entretanto decidi: vou comprar um dicionário. Tinha um pequenino que desapareceu (emprestei? devolvi ao legítimo dono?). Sim, a internet, béc béc béc... e depois nunca me lembro de que palavras não conheço o sentido e acabo por esquecê-las e por não descobri-las.

Tenho um vocabulário curto, tal como o alcance dos neurónios, é certo. Mas de há uns tempos para cá vem-me afligindo esta limitação. Preciso de um dicionário. Já.

Entretanto fui dobrando cantinhos de páginas com frases de que gostei. É possível que as pespegue aqui, sem ordem ou sentido. Só porque sim. Fora de contexto até podem não vir a ter sentido, mas eu guardei-o para mim.

E agora apetecia-me um chao min de gambas e um crepe.

2011/07/31

Travessuras da Menina Má



"Bem, toda a gente tinha os seus períodos de neurastenia, nos quais preferia mostrar-se antipática para deixar patente o seu desgrado relativamente ao mundo. Havia de lhe passar."

2011/07/30

Acabei de ler um livro




magnífico. Surpreendente. E estou com o peitinho cheio de emoções. E com pena porque já acabou. A fotografia da capa é ridícula e se lessem o livro quando pensaram em criar uma capa, teriam chegado a essa conclusão sozinhos.
Anos e anos a pensar que havia de ler o Vargas Llosa, finalmente li e valeu a pena a espera. Ou já deveria ter começado mais cedo? Não sei qual se segue, mas hão-de haver mais, com toda a certeza.
E por isto tudo ainda não estou na praia.

2011/03/16

sou uma porcaria e não valho o ar que respiro

tanto apregoei, tanto falei e discorri sobre A Mulher Certa, e agora não consigo acabar de ler...
txii mãe

2011/02/16

"se perguntarem por mim, digam que voei"*



Depois do "Museu da Inocência", a "A Mulher Certa".
Começo sempre o ano em tão bom ritmo... nunca consigo mantê-lo.


*título de um delicioso livro de Alice Vieira, senhora que admiro muito e a quem gosto muito de ler.

2011/01/24

Prazeres?


Por enquanto é só este.
Ler um livro bem escrito e que vá ao encontro do que é preciso no momento é um privilégio. Estou viciada.

2010/10/25

"O Amor Infinito Que Te Tenho





 e Outras Histórias" é o título belíssimo do primeiro livro do Paulo Monteiro. É naturalmente um livro de Banda Desenhada, que ainda não se rendeu ao acordo ortográfico.
O Paulo tem feito um trabalho exemplar nesta cidade. É o responsável pela Bedeteca e pelo Festival de Banda Desenhada. 
O lançamento do livro foi feito no Domingo no Amadora BD e dentro de umas semanas será cá em casa (na cidade, pois, não é no meu palácio).






Recebi agora mesmo a notícia, também belíssima, que no V Festival de Bandas de Beja vai tocar o Eroscópio!
Para quem não sabe (porque é distraído), o Festival de Bandas acontece todos os anos na Casa da Cultura nos dias 30 de Novembro e 7 de Dezembro (vésperas de feriado - a ver se os moços não são espertos!). Em duas noites, podemos assistir a concertos de Bandas de Beja, naturalmente. Nas últimas edições rondaram as 15!! E ficaram algumas de fora!
Em primeiro lugar, fico muito feliz pela Arruaça continuar com este projecto e sei que é à custa de persistência, teimosia e muita mão de obra voluntária que a coisa ganha forma.
Em segundo mais feliz fico porque o Eroscópio vai lá estar.
Para quem não sabe (porque é distraído) o Eroscópio é uma banda composta por: Paulo RIbeiro, Manuel Nobre, Nuno Figueiredo, César Filipe, Marco Cesário e António Revez. Um projecto de spoken-word que nasceu em 2004.


"Uma intervenção artística multimédia em que o video, a música ao vivo e a arquitectura convergem para a elaboração de um universo poético que se alimenta das palavras de inúmeros poetas nacionais. Como uma flor que desponta numa selva de asfalto..."
Com poemas de Natália Correia, David Mourão-Ferreira, Eugénio de Andrade, António Gancho, Al-Berto entre muitos outros, música composta por Paulo Ribeiro, o Eroscópio é um espectáculo de grande qualidade, de divulgação de boa poesia, de boa música, de bons músicos... 
"Eroscópio é também uma visão do amor pela lente de alguns dos grandes poetas de alma portuguesa."

A Não Perder!!!!
mais informações do Eroscópio, aqui e do Festival, aqui

2010/05/24

estou a ler um livro...

... espectacular: A Queda de Albert Camus.
Depois digo mais qualquer coisa...

2010/03/05

Livro Lido!

Acabei de ler O Amante de Lady Chaterley e gostei muito, muito. Estou convencida que o DH era um hippie fora de tempo. Muito bom.

2010/01/03

Balanço literáriócinéfilo

15 Livros Lidos, destacam-se:
  • Leite derramado (Chico Buarque);
  • O Carteiro de Pablo Neruda (A. Skármeta);
  • Mistério da Estrada de Sintra (Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão).
Conclusão: li muita porcaria este ano.

47 Filmes Vistos, destacam-se:
  • Hapiness;
  • Northfolk;
  • A porta do chão;
  • Breaking and Entering;
  • Lado Selvagem;
  • Rachel's Getting Married
Notas mentais em jeito de conclusão:

Mais seleccção nos livros (a não ser que a intenção seja de facto desligar do mundo e entrar num universo paralelo, parvo e mal escrito), detesto filmes de terror (vi um e ainda não me esqueci dele. aquilo em mim resulta, mesmo!). Arranjar uma "Lista de Filmes a ver Antes de Morrer". Retomar a leitura de livros técnicos e a sua compra compulsiva. Não estar nunca sem um livro de cabeceira.
Deixei três livros a meio e estou a tentar acabar com o sentimento de culpa.

2008/07/16

Memórias de um Assassino Romântico

Desaparecida durante o fim de semana, mas por uma boa causa.
Carlos Ademar, lançou o seu quarto livro e convidou-me para o lançamento na fnac do chiado, ontem às 18h30.
Estava cheio de gente, incluindo fãs! ah pois é! e o jantarinho depois... uma maravilha!
O senhor Carlos, sendo um grande fã meu, admira imenso o meu trabalho (é incansável nos elogios), faz questão que eu esteja presente nestes acontecimentos. Claro que é com todo o prazer que o faço, até porque me tornei fã dos livros do senhor.
Penso este último, Memórias de um Assassino Romântico, se destaca pela originalidade do enredo, mas qualquer um dos outros (O Caso da Rua Direita, O Homem da Carbonária e Estranha Forma de Vida) é muito bom e com histórias muito bem articuladas e bem escritas. mas chega de elogios, porque ainda não me pagam para isso... e é uma coisa que é difícil de fazer.
Ficam aqui as capas, para ser mais fácil de encontrá-los nas inúmeras livrarias da cidade.

PS - qualquer semelhança entre o nome do autor aqui referido e uma recém chegada à cidade que tem um blog, não é pura coincidência.

2008/04/24

Updates

Ontem ainda tentei escrever a actualização da lista... mas não consegui. Comecei a baralhar tudo. Cheguei à conclusão de que há livros e há autores, e os melhores livros que li são de autores. Ou seja, há autores de que gosto muito e por isso gosto de quase tudo o que escrevem... mas é um exercício muito bom, e planeio levá-lo até ao fim e aplicá-lo a músicas e filmes.
Àquelas perguntas: "qual é o filme da tua vida?" "a música preferida de sempre?" "a banda ou cantor preferido" nunca consegui responder com firmeza. Vagueio entre uma hipótese, duas... surge uma terceira e a confusão é geral. Faltam-me convicções...
Portanto aqui ficam as minhas intenções de concluir a pesquisa e postá-la (eh, nunca tinha conjugado o verbo!)
E agora: O Meu Pé Direito (e não o esquerdo, que esse era do Daniel-Day Lewis). Pois tenho a dizer que apesar de todas as minhas desconfianças a apicultura está a resultar!
O pé já desinchou quase por completo e já quase não sinto dores (a não ser no sítio das picadas sucessivas). Hoje inchou um bocadito, mas acho que foi parvoíce minha: como não tinha dores devo ter forçado um pouquito mais e o gajo bumba! revoltou-se.
Descobri que o que me foi injectado não foi cortisona, nem aquilo eram infiltrações (eu, uma gaja fina, com classe com infiltrações! isso é coisa de habitação social.... e eu upa, upa, tenho os padrõezinhos elevados!). O líquido é um restruturante de músculos e tendões (e das outras coisas moles que há entre os ossos e a pele), é utilizado por atletas (ena, ena!) quando fazem dóidóis. Hoje foi-me administrada outra dose do dito bruzéguio e estou que não posso,"Dói um pocadinho... uppss, só maiz uma picadela".
A boa notícia é que hoje o dr. disse-me que já não preciso de ir lá mais! A melhor notícia dos últimos tempos! Deixa lá ver, há trabalho para fazer na 2ª, espero que a patita se aguente à bomboca...
O meu medo é: amanhã é sexta feira! E depois disto e disto começo a temer este dia da semana como o diabo teme a cruz (ena que católica)!

2008/04/23

E Hoje é o Dia do Livro


E Hoje Festeja-se o Dia do Livro.
Parece-me um bom festejo. Um bom motivo de festa. Acho que um livro é das coisas mais fiáveis da vida. Faz-me companhia, faz-me apagar o cérebro de coisas que aborrecem, há poucas coisas melhores do que uma tarde numa esplanada solarenga, sossegada com cafés e livros, então se essa esplanada for na praia, melhor ainda.
E Hoje Festeja-se o Dia do Livro.

Alguns dos bons livros que já li:
  • A Sombra do Vento; Carlos Ruiz Zafón; publicações Dom Quixote - é um livro fantástico, belissimamente bem escrito, não conhecia o autor, nem li mais nada, mas parece que saíu o novo, se bem que só em Espanha: El Juego Del Angel, mas ainda não há tradução em português.
  • Ensaio Sobre a Cegueira; José Saramago; Companhia das Letras - envolveu-me de tal maneira que dei por mim a fechar os olhos, e o filme já aí está, realizado por Fernando Meirelles (o mesmo dos excelentes: Cidade de Deus e O Fiel Jardineiro), estreia nos Estado Unidos a 3 de Outubro e conta com um elenco bem bom: Julliane Moore, Mark Ruffalo, Gael Garcia Bernal e Danny Glover, Sandra Oh e Alice Braga, sobrinha de Sónia Braga.
  • Cem Anos de Solidão; Gabriel Garcia Márquez; li uma edição comprada em segunda mão pelo meu pai há muitos, muitos anos e última página tinha uma árvore genealógica feita a lápis pelo pai, com a qual gozei bastantes nas primeiras 30 págs e que depois me deu um jeitaço. Acho que as novas edições já trazem uma árvore genealógica toda bonitinha.
  • Evangelho Segundo Jesus Cristo; José Saramago; Companhia das Letras - fascinou-me o facto de Jesus ser um tipo muito normal, cheio de medo de Deus, cheio de dúvidas, muito humano... muito, muito bom.
  • As Intermitências da Morte; José Saramago; Companhia das Letras - e se a morte entrasse em greve? A partir desta revolta da Morte leva-se a coisa ao limite: a falência das agências funerárias, o desemprego dos coveiros, a máfia que se cria para levar moribundos à fronteira para poderem finalmente deixar de sofrer... e um fim perfeitamente inesperado.
  • A Casa dos Espíritos e Paula; Isabel Allende; Difel -li outros que me fascinaram imenso (Eva Luna, Inês da Minha Alma, etc), mas estes dois, que foram os primeiros, marcaram-me imenso: o fantástico (à lá Garcia Márquez), a história pessoal da autora e do país (ainda lá hei-de ir...), a injustiça da morte de alguém que se ama...
  • D. Flor e seus Dois Maridos; Jorge Amado; ed. Público - divertido, doce, uma boa disposição fantástica, o descobrir que palavras como buceta não têm mal nenhum e até são tão queridas...

Esta lista foi feita de rajada... reparo que Saramago acaba por ser muito referenciado por mim... engraçado. Guardo o direito de acrescentar a lista, modificá-la...

Mais logo faço a lista dos que estão na fila de espera.



Ah! Lembrei-me agora do Eça! E da Aparição... eh pá! nunca tinha feito este exercício...