... se tive um dia pensei que ao crescer as dúvidas desapareciam e ficavam certezas e definições, hoje, que já sou crescida, faço-me acompanhar por uma enciclopédia.
Se as dúvidas não desaparecem, antes se tornam mais espessas e mais profundas, porque se cravam na pele que uso todos os dias, também há lugar para algumas certezas. As certezas que aparecem com a idade e com a suposta maturação do ser não são, contra as minhas expectativas, positivas. Ou seja: hoje não sei muito mais sobre que pessoa me tornei ou como sou. Não adquiri conhecimentos sobre as grandes questões da vida, como o sentido que ela tem ou para onde vamos nós.
Não sei dizer: "Eu sou ...." ou "Eu quero...." Saber, saber, até sei. Acontece que não consigo ter muitas certezas no que toca aos adjectivos ou tempos verbais que seguem estas enunciações.
Assim sendo, e para não baralhar, vou tentar simplicar a ideia:
à medida que maturo (ou apodreço - é uma questão de ver o copo meio cheio ou meio vazio), ainda que não marque pontos da perspectiva positiva da questão (eu sou e eu quero), começo definições mais delineadas, mais definidas e algumas ganham até o estatuto de monumento (dada a pouca probabilidade de alteração da arquitectura) pelo lado negativo, ou seja, relativamente ao que não sou e ao que não quero.
Começar por definir o que não se quer, uma vez que o caminho contrário está bloqueado, parece-me uma solução. Pelo menos temporária. Para que as tropas continuem a marchar, mesmo que não saibam para onde, sabem que por ali não vão!*
*sim, faz-me lembrar qualquer coisa... hummmm, Régio.... hummmm Negro... cântico....
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