
os ruídos estranhos ao meu estar soam sempre como ameaças. e passados os segundos do sobressalto, tornam-se ameaças desejadas. algo que soe. algo que me roube à tranquilidade que me enjoa. no entanto, barulho provocado por mim fere-me. como se me lembrasse a cada passo que não há mais ninguém.
então espero um toque na porta. uma pedra na janela. o apito do comboio. uma travagem brusca. uma buzina impaciente. um grito. uma gargalhada. passos na pedra da calçada. solas a subirem a escada. molhos de chaves nos bolsos. lua a despedaçar-se em trinta mil pedaços.
vou repensar esses barulhos. Muito bem visto. :-)
ResponderEliminarMuito, muito bonito (porque verdadeiro e sentido. E porque muito bem escrito também.)
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