2014/11/06

O tempo mudou, o frio instalou-se e as mazelas que fui coleccionando pelo corpo dão sinal.
Tinha saudades do frio. Mesmo que tenha de parar de escrever às vezes para aconchegar o casaco no peito ou puxar as meias para tapar as canelas. Gosto do frio. Não gosto do frio, gosto do aconchego das mantas, dos casacos de malha, das meias de lã, da sensação do edredom por cima do corpo, quase como um braço que me segura à cama.


"Não há maior sinal de loucura do que fazer uma coisa repetidamente e esperar a cada vez um resultado diferente."

2014/10/13

2014/09/12


A vida é dura. E de tal maneira que nos enrijecemos à força. E somos tão competentes a fazê-lo que, em situações nas quais a sensibilidade e a empatia davam muito jeito, somos incapazes de as sentir, de as usar. Quando, por algum motivo, estamos fragilizados - imaginemos com um pé torcido e de muletas - sente-se a frieza da gente feita pedra. Como se temessem que ao ser gentis abrissem o flanco ao mundo.
No entanto, se um dia eu estiver na fila para o autocarro, de muletas, com bagagem que não consigo carregar e um senhor me perguntar: "posso ajudar?" E se esta gentileza contagiar o condutor ao ponto de largar o que está a fazer para me ajudar e se as pessoas que esperarem mais um bocadinho não reclamarem... vou ter a certeza de que ainda existe a possibilidade de resgatar de debaixo da camada grossa de sedimento fossilizado que nos escuda da vida, aquilo que faz de nós gente de bem.
Hoje foi o dia!

2014/08/04

Para escrever é preciso que as vozes todas se calem.

Férias #1

Pé torcido - check
Muletas - check
Picadas de melgas mutantes na perna de apoio - check
Borbulha dolorosa e tipicamente adolescente no queixo - check

2014/07/11

De quando a quando surgem ideias que podiam servir um texto, mas rapidamente desaparecem atropeladas pelo quotidiano. Porque a vida não é ter tempo para apontar num caderninho as ideias que nos surgem enquanto respiramos entre uma série de tarefas mecânicas e desanchabidas.