2008/05/04

CICLO LUIZ PACHECO DE 7 A 9 DE MAIO NO PAX

DIA 7 - Quarta-feira

COMUNIDADE
Texto: Luiz Pacheco
Encenação: Carlos Curto
Interpretação: António Revez
Produção Executiva: Jorge Barnabé
Uma Produção Lendias d'Encantar

22h00 - Sala Estúdio do Teatro Municipal Pax Julia
Entrada: 3€ (ou 5€ para os dois espectáculos)

Falo de «Comunidade», o admirável reconto de um escritor que escreve contra si próprio com a insolente sinceridade de quem tenta seduzir inimigos – para depois os danar: com a altiva modéstia de quem conhece os desígnios da solidão – para depois a sacralizar. O fascínio que em mim exerce este «caderno de contas de um homem na cidade» procede das razões que invoca: o sentimento de que promíscua é toda a nossa comunidade de cadáveres de excelente saúde: a ideia de que o corpo possui uma força e uma grandeza virginais e corruptíveis. Porque o corpo é a única «coisa», o único «objecto», de que dispomos com toda a soberania. Ora, o escândalo dessa verdade resulta do embuste ardiloso (ímpio) com que pios suseranos da terra prometida (dos céus inacessíveis) entreteceram, durante séculos e séculos, os nossos sonhos de despertar e de ser felizes. De ser raivosamente homens. A dimensão humana (racional) de «Comunidade» provém do absurdo banal transfigurado em acto criativo: um homem sem remorso de ser falhado, quando às voltas com a morte, porque do seu falhanço a responsabilidade não é própria – e, sem raiva mas com revolta, sem pudor mas com medo, relata a aventura da multidão a que foi submetido, da ofensa ordinária de que foi alvo, ou seja, historia os intoleráveis obstáculos que provocaram a sua ruptura com a comunidade dos outros. Dos outros: porque a sua «é gente e eu gosto de estar com gente (falo de corpos), um enchimento de gente à roda, compacta, onde recebemos e damos, estamos e lutamos, sofremos em comum e gozamos. Onde tudo de nós é ampliado, revigorado, e medido pelo colectivo, pelos outros – espelho e limite, cadeia e espaço imenso, liberdade e nossa conquista».São Luiz Pacheco reza por nós.
Baptista Bastos

DIA 8 Quarta-feira

Projecção do Documentário sobre a vida de Luiz Pacheco
Lançamento da obra Comunidade

21h30m - Cafetaria do Teatro Municipal Pax Julia
Entrada Livre

DIA 9 Quinta-feira

COIOTE
Texto: Luiz Pacheco
Encenação: Carlos Curto
Interpretação: António Revez
Produção Executiva: Jorge Barnabé
Uma Produção Lendias d'Encantar

21h00 - Sala Estúdio - Teatro Municipal Pax Julia
Entrada: 3€ (ou 5€ para os dois espectáculos)

"Um espectáculo corrosivo. Depois do Uivo do Coiote, espectáculo produzido em 1998, decidimos voltar aos textos do Luiz Pacheco. Recolhemos um conjunto de textos em que o Pacheco expõe as suas posições éticas sobre a vida, toda uma vida, da infância (pura) passando pela idade adulta (comprometida e laça) até à velhice (desiludida). Da compilação de textos efectuada, tivemos o cuidado de recolher aqueles mais crus, menos elaborados e poéticos, de forma a apresentar uma posição sem floridos, nua e crua como a vida.É uma homenagem à verticalidade do homem e do escritor, antes que este morra.Vamos deixar para os outros as homenagens póstumas (como é já costume em Portugal)."
Lendias D’Encantar

CONFERÊNCIA
Luiz Pacheco, o Homem, o Escritor
22h30 - Cafetaria do Teatro Municipal Pax Julia
Entrada Livre