2007/10/05

...

como quem descansa o espírito
aterrei o meu corpo no teu
não te quero tocar
tenho medo que a aparência da tua pele me engane
e afinal seja terrestre e humana.
a desilusão seria brutal
deixo-me então a uma distância segura.
distância suficiente para que o teu cheiro me chegue
para que me possa acompanhar nas viagens que faço de olhos fechados.
e viagens maravilhosas essas sem os pés no chão,
sem o espírito a atrapalhar
sem a consciência de que são sonho
sem pensar que a realidade dessa vida sonhada é ténue
como os fios de algodão,
tão fácil de quebrar.