2007/09/05

Diário de uma Masok

Gosto de violência. Da gratuita e da outra, a justificada.
Gosto de ser maltratada. Gosto quando me chamas pelos nomes mais nojentos e enxovalhantes que existem no nosso dicionário. Adoro quando me agarras na cabeça e a jogas contra a parede, o chão, uma mesa ou o que estiver mais perto. Começo a sentir alguma satisfação quando sinto o sabor do fio de sangue que me pende da testa, nos dias em que me brindas com esses carinhos.
Gosto como cravas os dentes na minha carne com força até a dentição superior se reencontrar com a inferior. Gosto quando espetas as unhas na minha pele e puxas até ficarem bem visíveis os lenhos onde lhes fica a faltar a carne.
Gosto quando cerras o punho e me bates sem parar no pedaço de mim que está mais à mão ou ao punho.
Rejubilo quando me cospes ao mesmo tempo que limpas os pés no meu cabelo espalhado ao acaso pelo chão.
Gosto quando me amarras a qualquer coisa imóvel e me deixas, de estores fechados durante uma semana, sozinha, sem comida nem bebida.
Só me chateia a tua impermeabilidade ao mal que te faço. Gostava de ser capaz de te compensar justamente por este prazer diário que é conviver contigo.
Enquanto houver parte no meu corpo que suporte a tua pancada, nada mais pode acontecer senão eu ficar aqui.