2012/05/01

no tempo em que de vez em quando escrevia coisas...

Re-post_ 26 abril 2010


Balança (que ainda cais.....)

Afinal a torre do castelo não está a cair.
Afinal o verão sempre existe o que desapareceu para sempre foi a primavera.
Afinal sempre vou usar vestidos e mangas cavas e sempre vou ter de fazer a depilação este ano
Afinal vai haver calor e imperial e caracóis.
Afinal vou poder comer o novo magnum dourado a que o Benício faz o anúncio.
Afinal sempre se pode festejar mesmo sem foguetes, baile ou música adequada ao ar livre.
Afinal sobrevivemos estas décadas todas ainda que o 25 de Abril não seja nada do que se esperava.
Afinal estamos todos desiludidos com isto. E afinal continuamos na mesma. (Não se muda! Não se muda!)
Afinal a culpa é nossa.
Afinal ainda cá estamos (parece que é possível).
Afinal não estamos assim tão mal e antigamente é que era duro! (e era!)
Afinal isto aguenta-se mais uns tempinhos assim e logo se vê.
Afinal o 25 de Abril é no dia que sempre foi e o Natal parece que se mantém em Dezembro.
Afinal a liberdade é tanta que a gente perde-se nas possibilidades e preferimos não fazer nada, porque afinal podemos fazer o que quisermos quando quisermos (Somos Livres!), mas não precisa de ser agora.
Afinal o Papa ainda cá vem (que importantes que nós somos!) e o pessoal tem uma folguinha para ver a missa em directo nos quatro canais.
Afinal o Inferno não é aqui. O Papa diz que ele existe. E eu acredito, diz que às vezes, mesmo pertinho de deus, é com cada Inferno!!!!......
Afinal continuamos todos sentados a escrever nos nossos blogues a cabeça a fervilhar e as mãos tão paradinhas... e o cu continua a engordar e as ancas alargar à medida que despachamos pacotes de amendoins para que o tempo passe mais tranquilamente e os quatro canais já não chegam porque dão todos o mesmo.
E afinal... vamos ao mesmo café, à mesma esplanada pedimos a mesma coisa ("Um café e um copo de água, se faz favor"), vamos conseguindo meter 5€ de gasóleo para a voltinha do domingo e o sol ainda é de borla. E quando alguém quiser cobrar, vamos achar natural. É o progresso!
E quando o cu não couber no abismo que cavámos no sofá, compra-se outro. É o progesso.
O que interessa é que...
Afinal ainda cá estamos, isto vai-se andando. Qualquer dia destes tenho de ir à inspecção com o carro e comprar o selo. A ver se não me esqueço do IRS. E a renda. Não me posso esquecer da renda e de ir à EDP. E o tempo passa-se assim, entre pacotes de amendoins e sofás escavados, comandos de botões que nos organizam o cérebro, cus a alargar e gelados que nos convencem porque são bonitos. E brilham.
E afinal é isto. É mesmo só isto.