2011/10/15

Luísa

Texto e interpretação de Andreia Macedo, acompanhada pelo Carlos Barretto e o seu contrabaixo. As palavras de António Gedeão. Quatro performances espalhadas pelo espaço, assim como quatro ambientes sonoros, quatros obras de fotografia, video, pintura e desenho e ainda quatro vozes que dizem o poema que inspirou estas 16 obras.

Obrigada aos performers: Maria Manuel, Helena Trigo, Márcia David e Miguel Gonçalves
Obrigada aos músicos: Mario João, João Franco, Nuno Araújo e Luís Beco
Obrigada aos artistas plásticos/visuais: Paulo Monteiro, Julio Roriz, Carlos Cascalheira e Miguel Pires.
Obrigada às vozes que fazem ecoar "placidamente" pelo espaço o poema: António Lúcio, Judite Serafim, Justino Engana e Telo Faria.

Obrigada, naturalmente a António Gedeão, que inspirou tanta gente nos últimos dias e tornou estas últimas três noites incríveis.

Poema da Noite Plácida

A multidão em fúria

passeia placidamente nas ruas da cidade, de mente plácida,
plácida mente,
enquanto os homens que orientam placidamente
a multidão em fúria
que placidamente passeia nas ruas da cidade,
procuram furiosamente
as soluções plácidas
que orientarão a multidão em fúria
que, placidamente, passeia nas ruas da cidade,
de mente plácida,
plácida mente,
e os sábios buscam furiosamente
as fórmulas plácidas
que, placidamente,
resolverão as dificuldades da multidão em fúria
que passeia nas ruas da cidade
de mente plácida,
plácida mente,
e todos, todos em suma,
placidamente,
procuram furiosamente,
de todas as formas plácidas,
atender às inquietações e aos anseios plácidos
da multidão em fúria
que, placidamente, passeia nas ruas da cidade,
e placidamente se assenta nos plácidos bancos das avenidas,
bebendo o ar plácido da noite,
e esperando, placidamente,
as soluções plácidas
para os seus anseios e inquietações furiosas.


António Gedeão, 1967

Hoje é a última oportunidade de ver "Luísa" - a não perder. N'Os Infantes às 22h