2011/07/05

manel, o homem da minha vida - com acrescento

*


Ora o senhor Manel descobriu um novo sentido para a vida quando percebeu que conseguia passar pelas grades do postigo.
Eu, boa dona que sou, deixo-o sair um bocadinho à noite e deixo-lhe o postigo aberto para voltar quando lhe apetecer.

Há umas semanas, antes desta novidade, o Manel, adivinhando todo um mundo novo para além das janelas e paredes, punha-se à janela do primeiro andar a namorar com um gato ou gata que tem o dobro do tamanho dele.

Hoje o Manel foi sair. Um bocado como os homens fazem para ir à taberna ter com os amigos. Eis senão quando começo a ouvir os "RInhauuuuuuuu, fsssssssssssssssssssssttttttttt, rrrrrsssssssssss, rinhauuuuuuuuuuuu  mesmo à porta de casa.
O manel estava a ter uma zanga conjugal com o tal gato ou gata que é o dobro do tamanho dele.

Enchi-me de nervos e de medo, tá claro. Estava a ver o filme: abrir a porta e o gato esventrado ali no degrau ou abrir a porta e entrarem os dois cá para dentro a discutir. Não abri, claro! Vim à janela do primeiro andar. Altura em que a desilusão foi mais que muita:

Manel de barriga para cima, com ar inocente enquanto o outro (ou outra) lhe rosnava. Um gato que aterroriza adultos rende-se a um gatinho.... fiquei piursa! De qualquer forma não lhe abri a porta, porque tive medo. Medo do manel e do outro. Lá a minha fera resolveu entrar pelo postigo deixando o inimigo a olhar feito parvo.

A essa altura eu estava segura no meu quarto. De porta fechada. temi pela minha vida porque me vieram à memória imagens e sons do surto psicótico que preferia esquecer e ainda assim estão tão presentes.

Respirei fundo e fui, qual Indiana Jones (podia ter escolhido melhor o herói)  fechar o postigo.

O Manel não estava eriçado, vá assustado. Mas ainda assim não me convenceu completamente. Agarrei no computador e no copo de vinho e vim para o quarto. Com a porta fechada. Não vá o diabo tecê-las.

De momento, posso ouvi-lo a partir coisas no piso de baixo do palácio. Não vou ver o que é. Há muito tempo amanhã, quando eu for DE FACTO obrigada a sair daqui e a enfrentar a fera.


*próxima vez que manel fôr à janela.

acrrescento no dia seguinte - o que não contei ontem, provavelmente por vergonha, é que levei para o quarto as chaves de casa, para que não acontecesse o mesmo que da última vez: eu fechada no quarto sem hipótese de sair e não sem maneira de alguém conseguir entrar... Assim, se se desse o ataque psicótico II eu podia mandar as chaves pela janela e ser salva!