2011/02/10

se oiço uns passos perto da porta

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penso sempre na possibilidade, tão pouco possível, de ser alguém que me vem ver. e não me dói. a maior parte das vezes não estou em condições de ser vista. nem sequer quero que me ponham os olhos em cima. quero que os olhos desapareçam todos para dentro das bolas de onde saíram.
empurrar as coisas com a barriga foi coisa que sempre fiz porque, para além de ter a barriga grande, sou preguiçosa demais para usar as mãos. às vezes estão frias e custa-me a tirá-las do bolso. o nariz é outra coisa que me incomoda particularmente, em particular o meu. o dos outros também. nunca fui capaz de olhar directamente para quem tem (ocasionalmente) um restinho de muco ou algo da família, ali, a olhar para mim, como se me desafiasse a fixá-lo. nunca o fiz. o meu incomoda-me porque se já me causa algum transtorno (os copos de champanhe são um pesadelo) e sei, de fonte segura que, tal como as orelhas, nunca pára de crescer. o que me faz adivinhar um futuro onde a única coisa por onde conseguirei sorver liquidos será de uma tijela de sopa. o que me assusta, claro.
voltando aos passos e por extensão aos pés, eu gosto deles, dos pés. dos meus especialmente. dos pés dos outros não tanto, mas não me fustigo especialmente por isto: são dois membros frequentemente mal cheirosos. mesmo os meus. que são bem feitos.
depois de confessar publicamente que, raras vezes, produzo odor podal...
- às vezes convenço-me que inventei uma palavra e tenho de parar de escrever para ir ao dicionário ver se a palavra existe ou não e caso não exista, coloco sempre umas aspas, para as pessoas saberem que eu sei que a palavra não existe.
... devo confessar que me preocupo com os outros pensam de mim. é verdade. e acho incompreensível como podem ter ideias negativas a meu respeito. garanto que por detrás deste corpo intimidante e poderoso eu sou só arco iris, pequenos póneis e gnomos simpáticos. parece-me que, de vez em quando, há uma estrada de tijolos amarelos e um homem de lata à procura de um coração (seria o coração?!)
- ainda agora! coloquei este parentesis porque me surgiu a dúvida se no Feiticieiro de Oz era o homem de lata que procurava o coração. como não me apetece parar para rever toda a história e personagens e os objectivos de cada uma, uso o parentesis, redimindo-me assim de um possível erro que poderia ser detectado por algum leitor mais resistente que tenha chegado a esta fase do post, que obviamente é comprido demais para quem quer que seja...

e pronto. o vómito parou. vou dormir.

* esta fotografia é uma piada, subtil, gíríssima relacionada com os macacos do nariz!