2011/01/25

pink fluid




entre um spm monstruoso, o frio que obriga a encolher o dia todo, reduzindo o meu metro e setenta e cinco para menos de metade, a humidade permanente, a pele a ficar enrugada a cada dia, as compras terem saído muito mais caras do que estava à espera, mas que me deixam mais descansada porque em caso de ataque terrorista ou sismo, tenho víveres para bastante tempo, e entre estes pensamentos todos e coisas que me tiram o sono quando é suposto ele estar instalado e o empurra para um sítio longe de onde regressa quando menos faz falta e pelo contrário, atrapalha.
acho que escolho escrever assim porque dou livre curso ao pensamento sem parar muito tempo a pensar em acentos, pontuações ou ideias coerentes ou lógicas. fujo dessas amarras ou apenas me liberto nem sei. ou fujo ou liberto-me se não quiserem dizer a mesma coisa. nunca sei quando estas ideias me aparecem, estas dúvidas - se fugir é o mesmo que libertar-se. e parece-me que não. pelo menos neste contexto em que o meu cérebro está de momento a trabalhar e a explorar, ainda que talvez não seja aquele a que aparentemente me estou a referir- e é isto que eu gosto: nem eu sequer saber do que estou a falar. perder-me assim nas palavras e nas linhas dos pensamentos e deixá-los fluir sem sentido aparente e as ideias escorrem como cascatas e se elas cá estão precisam de sair ainda que sejam verdades tão curtas e efémeras que a sua importância é muito discutível. nenhuma. importância nenhuma.
importante é o chocolate que está na prateleira em luta mental comigo, é a minha cabeça pesar menos 3 kilos porque fui cortar a larufa e pela primeira vez fiz um esforço desgraçado para não me sentir horrorosa e mal cheirosa naquele espelho abominável que me olha com as olheiras ampliadas e as borbulhas em neon.
hoje olhei para o espelho e convenci-me que estava bonita, ainda que os poços escuros que me enfeitam os olhos pudessem servir para afogar criminosos de guerra ou gente má (caso fossem realmente poços. com água.)
saí do cabeleireiro satisfeita com o progresso. e a procurar espelhos e vidros que me mostrassem que mesmo com o cabelo novo, as olheiras estão lá. e são minhas. e eu sou aquilo tudo: cabelo novo e olheiras velhas. e ainda assim capaz de ser tão bonita como outra qualquer.



*** por alguma razão estranha não consigo encaixar aqui a música que quero. assim sendo fica o link... sempre é melhor que nada...