Há dias estranhos e o de hoje foi assim: estranho.
Nem bom nem mau. Uma ânsia qualquer por dentro, um calor insuportável que já duvido que venha de fora. Acho que é por dentro. É em mim que tudo arde e não há água que ponha cobro a isto.
A respiração é difícil e a cabeça trabalha a menos de metade. O rendimento é por isso mínimo e o que quero mesmo, aquilo que eu mais queria era água fria à sombra, sozinha e que não fizessem barulho. Que o silêncio se instalasse à minha volta. Nem passarinhos, nem o "vento nos ciprestes"* nem coisa nenhuma. Só o eco dos meus movimentos em dó maior. E é agora, quando peço silêncio, que oiço a televisão. Tem o som bestialmente alto, distorce as vozes e nem percebo o que dizem os senhores bem vestidos... não interessa, o silêncio incomoda-me. Como será que funciona esta estranheza ao barulho e alergia ao silêncio?
Diz que amanhã vai chover mais. Espero que sim, pode ser que o pó assente.
Se é assim com a cabeça a funcionar a metade, deixe-se estar e abençoado calor. Parabéns.
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