...
Ia escrever uma carta para ela, mas acho que se fôr directamente para ela não vou ser capaz de dizer o que quero. Por isso, vai assim:
chama-se Maria, mas eu nunca lhe chamei assim. Porque esse não é o nome dela. Ela tem outro nome que é mais dela: mais forte, mais alentejano, enche mais a boca quando o dizemos e tem mais que um sentido.

Conhecemo-nos há mais de dez anos. E sim, estamos mesmo a ficar velhas. Tínhamos 18 e 19 anos e não sabíamos muito bem às quantas andávamos. Mas eu pensava que ela sabia. Temos agora 29 e 30 e continuo a achar que ela sabe muito melhor que eu o que é suposto fazer.
O que nos liga não é uma amizade comum, de quem se fala todos os dias ou quase, de quem conta a vida toda à outra. De quem passa férias juntas ou bebe cafés ou almoça ou janta.
Eu e a M. (e não é M de Maria), não nos falamos mais que duas/três vezes por ano. Às vezes menos, outras vezes mais.
E o que tem graça é que quando a vejo, apesar das diferenças no look, no vestido, no cabelo, continua ela e tenho a sensação de a ter visto no outro dia.
Entre mim e a M. não há ressentimentos, ela esquece-se dos meus anos, eu esqueço-me dos dela a maior parte das vezes (hoje liguei-lhe). Não a acompanhei nos momentos importantes porque tem passado, nem ela a mim. Mas não importa. Foi porque eu não lhe fiz falta, nem ela a mim. O que é mentira, mas a verdade é que sei que sabemos as duas que não estando fisicamente presentes, estamos lá. E isto não é poesia. Eu sei que um dia em que eu precise da minha amiga, basta marcar o número. E ela sabe que só precisa de marcar o número.
Sei que quando nos encontramos corremos a contar os pontos importantes da nossa vida entre a última vez que nos vimos e o agora.
Sei que não me esqueço das coisas que ela me conta para as comparar e juntar às que me vai contar a próxima vez que eu a vir. Sei que ela se preocupa comigo e pensa em mim. E quando conheço um amigo dela de quem já me falou as palavras que oiço são "Ah tu é que és a... A M. está sempre a falar em ti." E eu em ti meu amor. Falo em ti que me desunho.
Não fazemos declarações de amor uma à outra. Não é preciso. Sabemos que somos uma da outra sempre. Mesmo quando nos repreendemos, ralhamos e discordamos. Ou essencialmente nesses momentos.
Não sei se é isto que é ter um amigo. Eu acho que é. Se puderem contem-me como é para eu poder comparar. E se eu estiver errada, hei-de encontrar outro nome para lhe dar. Mana parece-me bom.
É em Fevereiro que faço?!!!
ResponderEliminar