2009/07/21

se pusesse um título a isto seria: "o que faz uma pessoa não ter nada que fazer e vergonha alguma de escrever a primeira coisa que lhe vem à cabeça"

O Tio Manuel tinha uma quinta, e dizia muitas vezes "Iaiaó". Tinha muitos animais na quinta e cada um produzia o seu som característico sem qualquer tipo de confusão. Apenas uma anarquia sonora. Estava-se bem na quinta do Tio Manel.
A Anita era linda de blue jeans de blusão de cetim. Estudava Línguas e Literaturas Modernas ainda que o look não fizesse pandã com o das colegas de curso, mas era uma moça independente e orgulhosa do nome que herdara de uma Tia que não chegara a conhecer: Anica. Não havia a certeza de onde era proveniente essa tia de que toda a gente falava: se de Loulé ou da Fuzeta. Era certo que era do sul do país e toda a gente lhe conhecia estórias, fosse a da caixinha do rapé ou da saia preta que não largava.
Foi no domingo passado, que às cinco e meia em ponto, Tio Manuel entrou na casa da Mariquinha, tasca de fama na zona, e lhe cheirou ao seu prato favorito: favas com chouriço. "Não posso acreditar" explodiu o Tio Manuel num momento raro de felicidade extrema.
Anita também ali se encontrava e num impulso gritou "Melhor que isto só feijocas!"
E ali mesmo combinaram pôr-se a caminho do norte no calhambeque de Tio Manel que não raras vezes fazia "pipi" e foi numa curva apertada que Anita, moça moderna e desempenada resolveu pôr a nu os seus sentimentos: "Encontrei o meu amor.... Ai jesus que lá vou eu!"
Chegados a Viseu, alguém lhes disse que feijocas é em Manteigas que se comem. E lá foram.
Diz que desde então, Anita pôs o blusão de cetim de lado e agora só usa encebado. E quem quiser vê-la feliz é procurá-la nos últimos dias de Abril, passeando com as botas de montar no Pavilhão de Exposições.

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