2009/07/04

Se eu não sou obrigado, não faço! Toma, Toma!!!!

Sou um nadinha obcecada com ecopontos e divisão do lixo. Quando estudava em Évora cheguei a fazer viagens de autocarro com sacos de plástico cheios de papel para reciclar. Ainda não havia ecopontos, apenas uma coisa chamada Papelão e não era muito comum encontrá-los.
A divisão do lixo já me deu alguns dissabores, como por exemplo: discussões conjugais. Quando se gosta de divir o lixo, mas se tem uma marquise relativamente pequena e preguiça de levar o lixo à rua, naturalmente começa a haver problemas.
No entanto, há outro assunto a que me quero referir: a cidadania e a minha estúpida cobardia (que partilho com milhões de cidadãos) em admoestar (ãh?! que palavrão) quem faz as asneiras mais idiotas à minha frente.
Felizmente há o dia em que essa cobardia desaparece (mais que não seja por momentos) ou porque não se pensa ou porque a estúpidez alheia é de tal ordem que se rebenta de indignação.
Chegada a casa depois de uma tarde esplanadeira (havia um montão de mesas vazias, bejenses onde andam vocês? no Modelo?!), resolvi ir despejar as toneladas de lixo reciclável acumuladas no quintal (?). A pé. É de referir que o ecoponto mais próximo fica a cerca de 500 metros da minha casa, mas ainda assim resisti à tentação do veículo e fui a la pata. De mp4 nos ouvidos e chinelando pela rua, arrastei comigo um saco de lixo de 50l cheio de embalagens e garrafões.
Estava eu em frente ao belo do ecoponto amarelo cantando (penso que a expressão "plenos pulmões" não se aplica, mas digamos que também não o estava a fazer baixinho) quando chegou um senhor "amontado" num jipe Mistsubichi Pajero Sport XPTO (portanto GRANDE) e começa a sacar de caixotes de papelão cheios de bocados de cartão que começa a despejar no caixote do lixo. (É agora que informo os leitores que no sítio a que me refiro existem: um caixote para lixo, um ecoponto amarelo, um verde e um azul). Apercebi-me quando já tinha terminado o que ali me levara e de imediato me dirigi ao senhor e muito educadamente, pensando que talvez o senhor não se tivesse apercebido:
- Pode pôr esse cartão todo ali. (a dois passos)
Ao que ele me respondeu muito indignado:
- Se quiser pôr... Mas eu não sou obrigado!
ao que eu respondi com um sorriso:
- Pois não! O senhor não é obrigado. É uma questão de cidadania. Dá-me licença?!
Agarrei nos caixotes e andei dois passos. O meu amigo do Pajero entrou a toda a velocidade no carro e desapareceu rua abaixo. Eu despejei o lixo do meu concidadadão e voltei para casa.
Qual não é o meu espanto quando vejo o meu amigo a regressar pelo mesmo caminho e a parar em frente ao que penso ser a sua casa: a dez metros do caixote do lixo onde tudo se passou.
Ora para além de não ser obrigado a colocar o lixo no sítio, o senhor também não é obrigado a andar dez metros com o lixo na mão. É verdade. Ele está no seu direito. E eu estou no meu quando prefiro despejar o lixo de alguém que não conheço, só para garantir que ele vai para o local que é suposto.
O que é certo é que o Sr. Pajero Sport não deve ter achado muita graça, visto que quando eu passei estava fora do carro, de pé (coitado tal não terá sido o esforço) a olhar para mim e ali ficou até eu o perder de vista (sim que 500 m ainda é um bocado!) provavelmente a raciocinar sobre o acontecido.
É provável e até expectável que as suas conclusões (se chegou a alguma), não serão exactamente as mesmas a que eu chego ao pensar sobre isto.
Vou combater a minha cobardia e enfrentar as bestas poluidoras deste mundo. É uma forma de cidadania, não é?! É possível que a próxima vez que o Sr. Pajero Sport tenha caixas de cartão para pôr no lixo pense duas vezes em que depósito o colocar. É possível, não é?

2 comentários:

  1. olá! Isso prova que és amiga da Natureza..pelo que entendi, tu pegaste no papelão do senhor e deitaste-o no ecoponto... ele bem que poderia ter sido mais simpático contigo! O senhor é um grande preguiçoso...lol! beijos e um bom Domingo!

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  2. vamos ser optimistas e acreditar que o sr pajero da proxima vez vai ter mais cuidado... Nem que seja a ver se tu nao andas por perto e dps o senhor ainda se ve obrigado a reflectir sobre qlqr coisa da vida q ele não sabe bem o que é...

    Um beijo grande para a mói que tem a maior das boas vontades em ajudar. Pena é que as pessoas prefiram ser burras em vez de aprender!

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