às vezes nada é claro e tudo se confunde. o chão fica por cima da cabeça e os pés assentam nas nuvens. de que lado é o topo, de que lado se consegue ver melhor? onde começa e acaba a cobra que se vai enrolando à nossa volta? a cabeça da bicha está longe e o rabo, confunde-se nas voltas.
e depois vem um dia em que tudo se clarifica. há luz e há nitidez nas imagens. dói muito dizer tudo, dói mais não dizer nada.
a espera mantem-se, a forma é a mesma. o sofá onde espero é que mudou, tornou-se mais desconfortável. tornou-se num sofá velho com as molas a sairem pelo tecido. moldou-se a um corpo que não é o meu, a um corpo torto. já não estou bem sentada. é meio caminho andado para me levantar e sair.
"a espera mantem-se, a forma é a mesma. o sofá onde espero é que mudou, tornou-se mais desconfortável. tornou-se num sofá velho com as molas a sairem pelo tecido. moldou-se a um corpo que não é o meu, a um corpo torto. já não estou bem sentada. é meio caminho andado para me levantar e sair."
ResponderEliminarE eis, entre tanta tralha existencialóide, lamúrios penosos, e inquietações "quasi" literárias, um EXCELENTE parágrafo. Elegante, denso, poderoso e certeiro. Muito belo. Excelente
Aliás, este parágrafo merece um post. Com um sofá velho e solitário como cenário.
ResponderEliminarAMRevez: Muito obrigada. Podias ter evitado os insultos e o desprezo aos meus escritos antes do elogio, mas como sei que é mais forte que tu e fazer elogios não é a tua especialidade, perdoo-te! E mais que isso, o elogio tem outro sabor. Obrigada ;-)
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