2008/05/31

No 6º ano tive negativa a trabalhos manuais

Já falei aqui e aqui nas minhas capacidades enquanto carpinteira. Para ser mais precisa e honesta, na falta delas.
Ando há meses de volta do mesmo objecto: uma mesa que recebi de herança da minha bisavó. Na verdade, quem ma deu foi o meu pai. Homem magnânimo: não pensa senão no meu bem estar e é conhecedor da falta de mobília com que me debato. O problema é que começo a ter uma forte suspeita de que ele só ma deu tendo por pensamento: "entretem-te lá". É bom de ver que a minha desconfiança em relação à generosidade paterna se deve ao facto de, para além das milhentas camadas de tinta não desaparecem, a mesa começa, aos poucos, a desfazer-se. Literalmente. Cada vez que lhe mexo caem pedacinhos de madeira. Desconfio que me vão fazer falta quando (e se) a conseguir acabar de arranjar.
É imperativo que se diga: não percebo absolutamente nada de carpintaria ou de madeiras. O que tenho é uma necessidade parva de me sentir em acção. Necessidade essa que já me levou a pintar móveis, espelhos, a fazer cortinas de penduricalhos em terracota e claro, o projecto da toda uma vida (extremamente desinteressante, é certo, mas é a que tenho), uma manta de retalhos de lã tricotados por mim. Escusado será falar na quantidade de buracos que há nessa pseudo-manta e na quantidade de vezes que a desmanchei e recomecei. Mas estará pronta para o nascimento do meu primeiro neto (caso encontre alguém que não se importe de me fazer um filho. Ou filha... é irrelevante).
Bom, regressando à mesa, não tenho trabalhado nela afincadamente. Tenho uma grande tendência para me aborrecer e o trabalho que escolhi fazer (que começo a desconfiar ser fruto de uma praga que me rogaram) é extremamente instável e ora tenho todo o tempo do mundo ora tenho apenas tempo suficiente para coçar o nariz enquanto faço outra coisa com a mão que me resta (quando a tendinite não ataca!). Então das duas uma: ou acabo um destes trabalho com alguma rapidez (quase nunca acontece, porque com medo de acabar a coisa depressa demais, tenho tendência para fazer e refazer e começar de novo várias vezes) ou deixo-o a meio, guardando-o para outra altura de pouco que fazer.
No outro dia resolvi regressar à mesa, queria mesmo pô-la em condições para ocupar lugar de destaque no palácio. E comecei tudo de novo: decapante. Esperar. Raspar com a espátula (?). Recorrer à faca que é mais maneirinha. Irritar-me porque aquilo não sai. Passar com diluente, para tirar a tinta que se liquidifica e se espalha pela madeira não deixando ver finalmente a cor da mesma. Esperar que seque. Lixa. Lixa. Lixa. Mudar de mão. Lixa. Lixa. Mudar de mão. Lixa. Tirar o casaco. Lixa. Beber água. Lixa. Enxugar a testa. Li. Maldizer a minha vida. xa. Pensar no trabalhão que vou ter a limpar a casa outra vez (normalmente dedico-me a isto depois da limpeza feita). Li. Enxugar a testa. xa. Beber água. Li..............xa. Sentar e dar-me por vencida. Limpar. Banho. Sento-me ao lado da mesa tentando descortinar a diferença entre a perna esquerda da frente (onde estive a trabalhar arduamente) e a direita. Vejo televisão. Começo a sentir-me enjoada. Está tudo um bocadinho à roda. Deve ser de não comer. Mas não tenho fome. Obrigo-me a comer e sinto-me a pairar. Apetece-me apenas afundar no maple (o colchão, está claro), e ficar a pensar em nada. Estou convencida que neste momento estou capaz disso: pensar em nada.... Vou à casa de banho. Vou para o quarto. Estendo-me na cama. Dormito um bocadinho. Resolvo levantar-me. O mareio amainou. Entro na sala e sou bafejada com um cheiro insuportável a decapante.
Conclusão: moi chéri apanhou uma valente broa com a porra do decapante.
A verdade é que tirando o enjoo, não era mau de todo!
Resolvi esperar pelo bom tempo (será que vem?) e fazer o resto no terraço (o quadradinho emparedado sem tecto de que disponho). Fazer aquilo ao ar livre, deve ser mais seguro.
Então surge a necessidade urgente: e agora? Como ocupar o tempo?
Amanhã vou apanhar canas. Vou fazer uma cortina!!!

8 comentários:

  1. É o problema típico dos Gémeos, começam muita coisa mas raramente as acabam em tempo útil!

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  2. ah pois é... tal como diz o Zig... Nós gémeos temps muita vontade... e de tanta vontade que temos... acabamos por adiar fim daquilo que tanto nos apetecia, é algo que ainda não percebi porque é que fazemos... Será simplesmente porque queremos sempre pensar que temos algo para fazer??

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  3. olá! Eu não também nunca tive jeito para trabalhos manuais, mas aposto que ainda te vais tornar uma expert em carpintaria. Beijos e as melhoras dos enjoos! Uma boa semana para ti!

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  4. zig e b@be: culpemos os astros! sempre é mais fácil! acho mesmo que é uma ânsia de nos sentirmos muito activos e dinâmicos... desconfio que no meu caso, seja vontade de não ter tempo para pensar.

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  5. nuno: para bem da mesa, é bom que comece a perceber alguma coisita. O enjoo foi uma grande pedra à custa dos produtos tóxicos... mas já passou. boa semana :)

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  6. Essa coisa dos signos tem muito que se lhe diga. Em relação aos trabalhos manuais, não há como praticar. Só assim se conseguem bons desempenhos. Em relação aos enjoos. Ontem também estive um pouco enjoado e não percebi porquê. Vou em busca da resposta.
    Até mais logo

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  7. Olá! Ainda bem que te sentes como nova! Espero que isso fique bem restaurado, dentro das possibilidades. Beijos e uma boa semana :)

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  8. Porra, não era mais simples para o papá "zeloso" oferecer-te uma coisa em condições? Ou então punha ele a mesa em condições aceitáveis, caramba. E eu que me queixo do meu pai...Muito boa és tu:Se fosse comigo, na próxima visita que ele me fizesse, recambiava-lhe a mesa;Francamente...

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