2007/12/10

acho que a semana começa em grande

não sei o que me faz adiar tudo o que tenho para fazer (não é muito, é verdade, mas importante) e vir aqui. é um lugar seguro, na verdade.
procuro organizar a cabeça. procuro pôr tudo no seu devido lugar.
adivinham-se dias complicados, cansativos. e quando eu não durmo o suficiente (que é muito), tudo se baralha e se transforma. monstros de várias cabeças povoam-me os sonhos, mesmo os de olhos abertos, sem a banda sonora do ronc-ronc habitual quando já é escuro e nada se ouve na rua. que é minha e tem uma luz amarela de que gosto muito e por isso não fecho os estores da sala à noite. gosto de olhar e poder ver aquela luz tão amarela reflectida na parede em frente que é tão branca, nesta cidade, na casa que me calhou em sorte a vista não é muita, parede de um lado, e do outro quase que consigo ver uma igreja, a verdade é que só vejo a torre, não é mau, podia ser pior.
e nas noites de lua cheia consigo vê-la da janela, se bem que tenho de estar debruçada, e não posso apoiar os cotovelos ao parapeito por causa da tendinite, mas podia ser pior. gosto das janelas da minha casa. aliás gosto de janelas, sejam elas quais forem, quanto maiores melhores, e também gosto daquelas janelas que são no tecto, não me lembro agora o nome, que se forem grandes e apagarmos a luz de dentro da casa, e não houver muito lixo no ar e as luzes da rua forem fraquinhas, conseguimos ver as estrelas deitados na cama, se a pusermos debaixo da CLARABÓIA, lembrei-me da palavra que me faltava. se bem que é parvo porque tem bóia no nome, clara ainda percebo, da luz e claridade, agora bóia. é suposto salvar-nos do quê? do grande perigo que é adormecer sem ver as estrelas? se pensarmos pode revelar-se de facto um grande problema, se não olharmos para elas durante muito tempo podemos esquecer-nos de que existem e que estão lá. apesar de científica e objectivamente, acho que ainda não se encontrou uma grande vantagem nas estrelas, a não ser o sol claro está, que faz falta, e ainda bem que aqui está.
"o sol é que alegra o dia
pela manhã quando nasce,
ai de nós o que seria,
se o sol um dia faltasse..."
pois mesmo que alegre, que é verdade, não faz milagres. e porque é que o sol é uma coisa tão alegre, quando as suas irmãs estrelas nos (me) despertam uma melancolia, uma vontade de qualquer coisa que não sei explicar, de me meter no próximo foguetão e desaparecer pela via láctea fora. (e não tarda é mesmo possível, pois que há turismo espacial).
e as ideias enleiam-se e é bom escrever assim de rajada sem letras grandes (por quem vou perdendo a simpatia de dia para dia), sem virgulas e poucos pontos, claro que os erros corrijo-os não quero ofender as mentes mais ortograficamente sensíveis, mas as virgulas que estão e os pontos são os que ficam, nem mais nem menos.
porque as paragens faço-as no meu raciocínio, só paro quando alguma questão me aparece, ou uma ideia está a chegar. o processo é complicado de explicar e parece-me que bem pouco interessante para divagar devagar à sua volta.
acho que chega