2012/02/22

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O frio persiste em tolher-me os membros. Os ombros estão pouco mais que funcionais e a pele das pernas recente-se da exposição permanente ao irradiador a óleo. Está frio demais para não me vestir logo a seguir ao banho, mas se o faço sem pôr creme, passo o dia a sentir picadas nas costas.
O manel tem agora três brinquedos preferidos: um rolo de papel higiénico, um pedaço de velcro e um anel meu. A sorte da vizinha de baixo é que ele perde o anel com frequência o que diminui as pancadas no chão.
Esta coisa de virem de porta em porta pedir dinheiro ou doces no Carnaval não é apenas uma confusão com o Trick or Treat americano por alturas do halloween, que por cá se fazia no dia 1 de Novembro de manhã, em que a gente respondia quando ouvíamos "Quem é?" com a melhor cara de santo que podíamos "Pão por Deus!" (e sim nestas alturas era com letra grande, não fosse a clientela recusar a gulodice ou as moedas por desconfiar da nossa recém adquirida fé em cristo).... fiz a frase tão grande que agora não faz sentido meter-lhe um ponto de interrogação. ou faz? na dúvida cá vai - ?
Era para ir ao cinema hoje, mas fiz greve e deixei-me ficar aqui com medo de enfrentar o frio. e  barulho que me incomoda cada vez mais e do qual não posso fugir. e se às vezes me sabe bem, outras vezes preciso que se calem todos e me deixem pensar. que com barulho isto já não funciona. ou se calhar quero mandar calar para poder sentir as coisas, que com barulho não se sente bem. é um sentir à pressa, intermitente, não me satisfaz.
e às vezes já não sei se sinto se acho que devia sentir. e às vezes surpreendo-me porque não choro. e já sei fingir que não estou como estou. às vezes dá para fingir. que não estou. como estou.