2012/01/31

e assim vou-me queixando da falta de tempo...

A relação que tenho com a poesia não é fixa. É uma espécie de relação liberal, moderna, em que não estamos comprometidas uma com a outra, mas regressamos quando a isso nos sentimos falta. Eu digo: "a minha relação com a poesia", mas entenda-se que é uma relação unilateral: eu com ela. Que ela a mim, não me liga nenhuma. É aliás mais uma das minhas relações amorosas de sucesso.

Isto tudo para dizer que quando hoje descobri o texto aí em baixo me apercebi da falta que sinto. Sem que a tivesse sentido até ler o texto. Às vezes tenho saudades de coisas bonitas. Que me mexam por dentro.

Tenho de mudar de vida. Quando digo "mudar de vida" refiro-me mais à organização do meu tempo do que propriamente a sair pelo mundo com uma valise de cartón e tornar-me uma bailarina exótica de sucesso (ainda que tivesse todas as capacidades e qualidades para o fazer - se a valise não fosse muito pesada, ando mal das tendinites).

Preciso de tempo para essas coisas boas de que me vou esquecendo por tempos e tempos sem me aperceber que o equilibrio, a boa disposição,a  visão de um dia novo, as ideias, a criatividade, a esperança, a capacidade de resistir e a imaginação nascem desse tempo em que aparentemente não se faz nada a não ser apanhar sol numa esplanada com um livro na mão, um lápis  na outra e um caderno na mala, não vá a gente ter uma ideia boa.

É isto. preciso de poesia, de sol e de tempo para disfrutar disso tudo.

Ah! e definitivamente não aprecio o japonês que está na moda!

Agora que já fui ao google posso actualizar a informação: é o Hariki Murakami. Li o "Sputnik meu amor". ah... nem um arrepio, nem um sorriso, bah.... muito frio e arrumadinho. (é a melhor adjectivação que conseigo enquanto crítica literária!)